Sozinha no Chile

Sozinha no Chile foi tudo novidade: o roteiro, planejamento de hospedagem, alimentação, tudo era por minha conta e isso ao mesmo tempo em que me assustou um pouco, me proporcionou uma liberdade infinita pra fazer o que eu quisesse e quando eu quisesse dentro do tempo que eu teria disponível. Os planos mudaram várias e várias vezes, a única certeza era uma passagem de ida e outra de volta. Enfim, em Santiago fiquei o meu primeiro dia na casa de uma brasileira que mora lá, Ane, casada com um chileno e que tem uma filha muito fofa, todos muito queridos, irmã do meu amigo Cris que na época morava aqui na minha city – isso ajudou bastante pra eu me sentir mais segura na minha primeira viagem sozinha. Pesquisei muito antes de ir e tinha ideia de lugares que eu gostaria de conhecer, mas tudo seria muito maleável, poderia mudar meus planos conforme fosse sentindo o lugar.

No primeiro dia fui até o Palácio de La Moneda, ouvi a bandinha animadíssima, visitei uma exposição no subsolo e emendei com uma pequena visita ao escritório da minha empresa para conhecer pessoalmente algumas pessoas que só falava por Skype. À tarde peguei o metrô morrendo de medo: sim, o primeiro metrô que eu andei foi no Chile e fui até o Cerro San Cristobal onde tem um transporte antigo, um trenzinho chamado funicular que te leva até boa parte da subida, depois: pernas pra que te quero! Voltei de metrô até a casa da Ane e não tive problemas para me localizar, já me sentindo A PODEROSA kkk.
La Moneda

No fim do dia peguei um ônibus com destino a Chiloé, uma ilha mais ao sul do Chile, onde só é possível chegar atravessando com uma balsa, ainda não há pontes ligando ela ao continente. Em Chiloé, contei com toda a hospitalidade da Ximena e de seu marido, com quem combinei hospedagem através de um colega de trabalho, René.

Preciso abrir um parêntese aqui: estava tudo certo pra eu ir à Santiago e ficar lá durante todo o tempo (8 dias), então, chamei o René no Skype para perguntar sobre algumas dicas de passeios em Santiago – não queria dicas de turismo, queria lugares menos conhecidos, diferentes, pouco explorados. Morando em Santiago há anos, René me disse que eu ficaria de saco cheio por 8 dias só em Santiago, que eu deveria ir pra outro lugar no Chile, conhecer algo diferente: Eis que surgiu a magnífica ideia de eu ir a Chiloé! “Eu tenho uma irmã em Chiloé que adora receber pessoas e é muito animada, deixa eu ver com ela se ela pode te receber.”  Pronto! Ele me colocou em contato com a Ximena que é uma pessoa ótima, de fato, super receptiva, que me ajudou dando as dicas de como chegar a Chiloé.

Na realidade, na viagem não conhecia o mundo do couchsurfing, mas hoje, refletindo, foi praticamente um couchsurfing arranjado pra eu me hospedar por lá, tanto na Ane quanto na Ximena.

Igreja em Ancud

A estadia em Chiloé foi ótima. Para chegar, cruzei o Canal Chacao com uma balsa – frioooo – e o ônibus me deixou em Ancud, onde visitei o Forte da cidade e uma igreja antiga que faz parte da Ruta de las Iglesias, composta por várias igrejas lindas na ilha, protegidas pelo patrimônio histórico. Mais no fim da tarde, Ximena e Antônio me buscaram na rodoviária e seguimos para Castro, onde eles moram. Na manhã seguinte fui com o Antônio, marido da Ximena, conhecer alguns lagos lindos (É a Região dos Lagos), visitamos os lagos Huillinco e Natri, além de passarmos por diversos outros no caminho; Passeamos também pela Punta de Lapa, onde fica o Hito Cero de las Carreteras Panamericanas e para fechar o dia, conheci os Palafitos em Castro – lindas e coloridas construções suspensas devido às cheias – atualmente mais utilizadas para fins turísticos. No segundo dia, a Angelina, uma amiga do casal me levou para conhecer a Playa Punta Ten-ten  e fomos com ela e o casal comer algumas comidas típicas. Preciso dizer que na hora não dei tanta ênfase para não ser mal-educada, mas comi o tal de Curanto – uma mistura de frutos do mar, carne de porco, frango, gado, batatas, tudo, e não gostei muito não Rsrs. Na verdade, minha impressão em todos os lugares em que comi (no Chile, não só em Chiloé) é que as porções são pra uma família toda, é um exagero de comida que eu sinceramente, não dei conta! :p
Curanto

O retorno a Santiago foi tranquilo, fiquei hospedada na casa de uma amiga com quem trabalhei, a Natascha, que é super animada, e conheci seu marido Esteban – Pelao (ele é careca, então chamam ele de “pelado”, é um figura!). Natascha promoveu uma festa com vários amigos em que eu pude conhecer um pouquinho de cada um, de vários locais diferentes da América do Sul, conversar um pouco com meu portunhol enferrujado e rir bastante. Todos foram muito simpáticos e diziam que me compreendiam muito bem. No dia seguinte, um amigo da Natascha, o Roberto, nos levou para passear em Cajón del Maipo, um lugar bem lindo, em meio às montanhas e com uma natureza exuberante. À noite, passeamos pelo bairro Bellavista, com muitos restaurantes, bares e galerias de arte incríveis.

Cajon

No meu último dia em Santiago, já tinha programado um passeio para as montanhas, visitar a Cordilheira dos Andes e passar pelas estações de esqui. Ainda na fase de planejamento da viagem, conheci uma brasileira muito legal que também adora viajar, a Manoela, e combinamos de fazer esse passeio juntas, pois ela estaria no Chile desacompanhada. Conversamos tanto por mensagens antes que quando encontrei ela já parecia minha amiga de anos, uma pessoa ótima, cheia de energia, alegria, educadíssima, bem humorada, enfim, meu número! kkkk

Passeamos pelo Vale Nevado sem neve – passeio que os chilenos não recomendam, dizem que é perda de tempo, um monte de morro e pó, mas eu e a Manoela super recomendamos, mesmo sem neve! Conhecemos as demais estações de esqui, paramos para almoçar num restaurante em Farellones e depois descemos todas as 60 curvas de volta para o centro de Santiago.

 Divando

Finalizamos com um sorvete de Rosas e Miel de Hulmo (bônus da Manoela) na Helateria de las Rosas. Essa sorveteria foi indicação também do meu amigo Cris. Eu comentei com a Manoela sobre ela quando conversávamos por mensagens antes da viagem e já estava triste que não teria tempo de conhecer, quando, andando felizes e contentes rumo ao Hostel dela, eis que Manoela fala: “Olha lá, não é o lugar do sorvete de rosas?” e #partiu as duas enlouquecidas para a Sorveteria, fechando com chave de ouro minha estadia no país da Michelle Bachelet.
Compartilhando a alegria de um sorvete de rosas com a Manoela

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