Liberdade pra alma

cropped-20150415_100606.jpgMinha primeira experiência de viagem foi quando criança, com dois ou três anos na época: de moto, no meio do meu pai e da minha tia. Foram aproximadamente 2:30hs das quais eu não lembro nem 1 minuto, mas pelo que meus pais me contaram, eu curti. Depois, viajei de ônibus sozinha com um tio e quase o matei de vergonha soltando clássicas furadas infantis. As visitas aos familiares em outras cidades sempre me empolgaram.

Não sei se o gosto pela estrada e pela adrenalina se cria, é influenciado ou está no sangue, mas o fato é que tive essas e algumas outras aventuras desde pequena e talvez venha desde lá a necessidade de liberdade.

Sempre fui do tipo que queria novidade, me sentir livre, nunca gostei da mesmice e nem de dar satisfação a ninguém. Por isso, mesmo sem idade para trabalhar, não rejeitei a oportunidade de um primeiro trabalho aos 15 anos, o qual me permitiria ter meu próprio dinheiro e gastar da forma como eu julgasse conveniente.

Durante toda a vida, muitas das experiências e conquistas que tive (como minha primeira habilitação aos 18 anos, saída de casa aos 19, faculdade concluída aos 22) tiveram sempre uma forte relação com a necessidade de ser livre para ir e voltar, fazer e realizar o que quisesse e como bem entendesse, geralmente de forma responsável e pensada, assumindo as consequências que surgissem.

Entrei em um relacionamento sério bastante cedo, mas que funcionou bem durante vários anos. Quando senti que havia perdido a liberdade da minha alma, vi que não cabia mais ali naquela vida (tive medo) e não consegui permanecer sufocada.

A vida é um composto: nossa essência, as mudanças pelas quais passamos ao longo do tempo, nossa necessidade de idas ou de permanências. Estamos sempre em busca de algo, de um sentido para a existência, através da aquisição de segurança material ou espiritual, eternamente é uma busca.

Minha busca é pela liberdade. Liberdade pra minha alma, pra me sentir completa e satisfeita com meus próprios feitos. Muitos acreditam que liberdade implica em solidão, mas não concordo com isso: tem mais a ver com companhia, com doação, com transbordamento. Quando você é livre, você compartilha, você aprende a ceder, a compreender o outro, a saber o momento de ir, ou de ficar.

Alguns encontram liberdade no aconchego de uma companhia, num cineminha depois do trabalho, numa vida tranquila, na praia, no campo, na família. Eu encontro nas viagens, nos encontros e desencontros, nas idas e vindas, na mudança, vejo beleza nas diferenças, na construção de opiniões, no compartilhamento de paixões.

Quando viajo é que me sinto livre, me sinto leve, me sinto eu mesma, livre de qualquer julgamento, livre de ter que justificar qualquer coisa para qualquer um.

É logo ali, ou lá longe, na estrada, noutro lado, que caminho de mãos dadas com a minha liberdade. E assim quero permanecer: liberdade pra alma.

Cajon

 

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